quinta-feira, 10 de março de 2011

Discurso político contra o Estado Novo (1961)

 Discurso político contra o Estado Novo (1961)

“Tudo pela Nação. Nada contra a Nação.”, defende Salazar.
Mas, afinal, Salazar estará a favor ou contra a Nação? E, por Nação, entende todos os portugueses ou apenas ele mesmo? Que é feito dos direitos e liberdades individuais asseguradas pela Constituição de 1933? São questões pertinentes, mas de resposta óbvia, que me surgem ao pensar na presente situação política e social de Portugal.
Vivemos um tempo de autoritarismo e repressão, em que o Estado fala mais alto que qualquer outra voz e a PIDE e a Censura encarregam-se de eliminar toda e qualquer oposição a isso. O povo está na miséria, sem ter que comer ou subsistir, e sem liberdade nem acesso à cultura, vive no medo e desconfiança.
Graças ao caráter ruralista e conservador de Salazar, quando devíamos estar a evoluir, estamos a regredir; passámos de um regime democrático a um centralizado e ditatorial. República? Fascismo! Igual ou pior à Monarquia.
Por todo o lado se vêem cartazes e propagandas de exaltação do nacionalismo e conservadorismo, de adoração ao Chefe, “Salvador da Pátria”. Diz ele que resolve a crise financeira do país, mas quantas bocas e quantas vidas sacrifica em nome disso?
Há uma clara diferença entre a lei formal e a lei real que vigora - temos como órgãos da soberania nacional o Chefe de Estado, a Assembleia Nacional, o governo e os tribunais. No entanto, nas eleições o que não falta é a manipulação de votos. Como esperam que os interesses do povo sejam assegurados por aqueles que nada dele sabem, ou não querem saber? Como esperam que o governo seja justo quando existe apenas um interesse nele presente (o do partido único União Nacional)?
É necessário permitir-se a existência de mais partidos, voltarem as eleições livres, a verdadeira soberania nacional, ouvir mais opiniões e discuti-las em nome do bem da Nação, e não reprimi-las.
Viver não devia ser difícil! É preciso mudar a situação e deixar a liberdade assumir uma posição! Repetem-se palavras de descontentamento e encorajamento à revolução. Porque não as ouvimos? Somos mais e, unidos pela razão, conseguimos vencer!
Abaixo a Censura e a PIDE! Abaixo o Estado Novo. Abaixo Salazar! Viva a democracia e  a verdadeira República!

Inês Belo
12ºF Nº14