quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Amor Eterno

Sabes, por vezes, damos conta que o nosso passado está demasiado presente, e por estranho que pareça eu sinto-o. Cada vez vai ficando mais e mais forte até que vai chegar o dia em que acabarão todas as dúvidas e todas as memórias, todas não, quase todas. Há umas que nem vale a pena tentar tirar de cá de dentro. Sempre disse às pessoas para seguirem com a vida e esquecerem as coisas do passado, mas por que raio eu não consigo seguir em frente? Por que raio tenho eu de ficar aqui presa ao passado, presa a ti? Tu vens e vais como um pássaro, voas como quem anda, ficas como quem mora e, quando partes, nunca dizes adeus. Penso sempre que é a última vez, mas depois há uma força que te faz voltar, e a cada regresso trazes-me mais conforto, mais paz, mais sabedoria, mas, desta vez o teu regresso veio de uma maneira diferente. Já não somos os mesmos, já não temos as mesmas vontades, os mesmos pensamentos, as mesmas conversas nem as mesmas atitudes de há uns meses atrás quando seguimos caminhos diferentes ou até mesmo quando estávamos melhor que nunca.
Sempre soube que o amor como todas as outras coisas só se completa com a amizade, daí que tu sempre tenhas sido a base de tudo. Eras o tema das minhas conversas, o tema dos meus maus humores ou dos meus ataques repentinos de gargalhadas ou até mesmo de histerismo, eras o meu quotidiano. Admito que era uma fanática por ti. Aquilo que sentia ultrapassava todas as barreiras do que havia sentido por alguém. Foste o meu primeiro verdadeiro amor e isso ninguém pode mudar. Tantas vezes que me apetecia gritar-te bem alto para me ouvires e dizer-te
«anda dai, vem sentar-te na lua comigo» mas nunca o fiz, nunca fiz tanta coisa por medo mas a verdade é que sempre cuidaste do meu coração melhor do que ninguém, mesmo sem o saberes e por ti, por tudo o que me ensinaste, por tudo o que já vivemos - ainda que em sonhos - por tudo o que aprendi a ser contigo, por ti, eu apanhava as estrelas que fossem precisas. Agora já não consigo dizer que te amo com tudo o que tenho ou que és não só uma parte de mim como todo o meu ser. Agora és apenas tu, mais uma das pessoas que convive comigo, que partilha o dia-a-dia comigo e que ama chatear-me como sempre. Mas agora és só tu. Já não sei se há hipóteses de haver um tal «nós» entre nós. Porque tu e eu somos como os humanos com o fogo. Se estás perto aqueces-te mas se te chegas perto de mais queimas-te. Sempre fomos assim. A base da nossa relação/amizade é assim e sempre será porque quando estamos bem, picamos, picamos até que dá faísca mesmo a serio e depois amuamos, voltamos a ficar bem, picamos, picamos, faísca e ficamos chateados, depois voltamos a ficar bem, faísca, faísca… muita das vezes somos mesmo até como dois isótopos radioactivos. Separados estamos bem mas se nos juntarmos demasiado dá-se uma explosão nuclear. Será assim até quando? Acho que sempre. Fomos feitos para ter aquela relação amor/ódio simultaneamente e vai ser assim até ao fim dos nossos dias. E quando não te sentir por perto, quando te sentir demasiado longe de mim, vou gritar por ti até não ter mais forças porque podes nem sempre ter tempo para mim, mas sei que posso contar contigo e, que, num momento de crise, estarás ao meu lado, que voltarás sempre, porque se a vida é um eterno regresso a casa, a amizade é um amor eterno.


Andreia Palma

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